31 de julho de 2018

Inácio de Loyola: Santo de decisões extremas



          Hoje, 31 de julho, a Igreja celebra a memória de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus.
          Segue comentário de Mons. João Scognamiglio Clá Dias a respeito desta figura ímpar na história da Cristandade.
                                                        * * * * *
          Sobre a vida de Santo Inácio de Loyola, cujos aspectos constituem um conjunto sobremodo arquitetônico e rico, poder-se-ia tecer inúmeros comentários. Entretanto, gostaria de ressaltar um lado que me parece ser a nota mais bela de sua existência, o ponto pelo qual ele brilhou especialmente no firmamento da Igreja. Refiro-me à sua força de vontade e de decisão que o fazia tomar, em todas as suas atitudes, a posição mais extrema, mais aguda, aquela que chegava ao fim último, sem meios termos.
          Tomemos em consideração, por exemplo, o conhecido episódio de sua perna quebrada no cerco de Pamplona. Não se pode conceber algo de mais tremendo do que um homem, então mundano e voltado para as honras terrenas, ao se ver na contingência demancar para o resto da vida em virtude de um erro ortopédico, decidir mandar quebrar de novo o osso imperfeitamente consolidado para que a perna ficasse em ordem. E istoporque, pelos cânones da elegância naquele tempo, um fidalgo capenga seria malvisto na corte e teria sua carreira política e militar prejudicada.
           Ora, Inácio de Loyola encarou de frente o futuro que essa deficiência lhe traçava. Pesou tudo em sua crueza: “Quero viver na corte, desejo seguir a carreira militar. Se eu ficar coxo de uma perna, não brilharei entre meus pares,não dançarei, não terei valor algum como soldado. Ora, devo lutar, devo luzir na corte. Se não me livrar dessa carência física minha vida está rateada. Então, vamos quebrar de novo esta perna!”
            Imaginemos agora um cirurgião munido dos instrumentos e métodos ortopédicos daquele tempo, desferindo pancadas sobre um osso mal jungido, rompendo-o e ligando-o de novo. O que isso significava de dolorido e dramático, só quem o sofreu pode saber!
             Em seguida, os longos dias e as horas intermináveis de inércia num leito, aguardando a consolidação do osso e a recuperação dos movimentos da perna, seriam horrivelmente enfadonhos para aquele homem super-ativo, afeito a batalhas e grandes realizações.
             Vê-se nessa atitude a decisão extrema do homem que mediu tudo e resolveu aceitar um sacrifício momentâneo em prol de seu futuro brilhante. Excluindo-se os motivos meramente mundanos que o levaram a essa situação, percebe-se naquele Inácio de Loyola o senso da preeminência do definitivo sobre o efêmero, uma fibra de alma para enfrentar tudo que fosse preciso e uma capacidade de olhar os problemas de frente que nos deixam admirados.

Santidade levada às últimas consequências
             O mesmo vigor de espírito, a mesma força de decisão e de vontade ele empregará no momento de se converter e abraçar o chamado de Deus. Homem mundano e militar vaidoso, esquecido das coisas do Céu, sente-se tocado de modo irresistível pela graça e, como procedera em relação ao defeito físico, medita nas suas lacunas morais: “Tenho de encarar de frente as verdades eternas, o Céu, o inferno, a salvação ou a condenação. Recebi graças, compreendi como o ser autêntico católico significa dedicar-se ao serviço de Deus, a amá-Lo sobre todas as coisas nesta Terra e na eternidade. Não ser assim é procurar apenas a felicidade transitória do mundo, mas também o infortúnio e a injúria a Deus. Essa é a verdade, e tenho de encará-la. Devo tirar todas as consequências que daí pendem para mim, Inácio de Loyola, e estas consistem em seguir a voz da graça que me pede, à vista dessas considerações, uma completa mudança de vida, vivendo ao contrário do que até agora vivi, construindo para mim uma existência feita de abnegação, de humildade, mas, sobretudo, de coerência. Serei coerente até o fim na verdade que considerei e abracei por inteiro.
               E temos, assim, o programa de vida magnífico de Santo Inácio de Loyola. Ele não recuou diante de nada e empreendeu tudo quanto foi necessário para levar essa coerência até os últimos limites.

Saiba mais:

24 de julho de 2018

São Joaquim e Sant`Ana


No dia 26 de Julho a Igreja comemora os avós de Jesus; pais de Nossa Senhora. Deus abençoou o matrimônio, e São Joaquim e Santa Ana, já anciãos, conceberam um filho:
a Imaculada Virgem Maria



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21 de julho de 2018

Novos Cooperadores em Fortaleza


Sodalício São José dos Arautos do Evangelho em Fortaleza (CE)
admite quinze novos Cooperadores
Ao centro, o celebrante, Pe. Inácio de Almeida, EP e o
encarregado da sede dos Arautos, Ir. Geraldo Cúrcio, EP 
           Às dez horas do dia quinze de julho do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e dezoito, durante a solene Celebração Eucarística presidida pelo Revmo. Pe. Inácio de Almeida Araújo, EP, na casa-sede do Sodalício São José, em Fortaleza (CE), foram recebidos e investidos novos Cooperadores dos Arautos do Evangelho, após concluído o período de formação e cumpridos os trâmites e registros competentes.



Conscientemente e por livre e espontânea vontade, os neo-cooperadores se comprometeram, sob palavra de honra, pelo período de um ano, a cumprir as Obrigações dos Cooperadores da Associação Privada Internacional de Fiéis
de Direito Pontifício Arautos do Evangelho.

É próprio do carisma dos Arautos do Evangelho procurar a perfeição através da beleza,
para cumprir o mandamento de Nosso Senhor: 

"Sede perfeitos, como vosso Pai do Céu é perfeito". 
Veteranos e novos Cooperadores após solenidade de admissão.

20 de julho de 2018

Santo Elias voltará? Quando?


Festa de Santo Elias, profeta
             Presente na Transfiguração de Jesus Cristo, reatador da aliança de Deus com o povo hebreu, adversário e destruidor do culto pagão de Baal, primeiro devoto de Nossa Senhora, o profeta Elias foi arrebatado vivo num carro de fogo. Onde se encontra? Voltará? Quando? Eis questões candentes a respeito de um dos mais extraordinários personagens da História, cuja memória a Igreja celebra hoje, dia 20.

              "E ele, respondendo, disse-lhes: Elias certamente há de vir [antes de minha segunda vinda], e restabelecerá todas as coisas" (Mt 17, 11).
              São palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo a Pedro, João e Tiago, logo após o episódio da Transfiguração. Se aos profetas no Antigo Testamento coube a honra e a glória de anunciar a vinda do Salvador, Santo Elias teve o privilégio de ser anunciado pelo próprio Messias.
              Quando desciam o monte Tabor, o Mestre proibiu aos três Apóstolos contar os fatos ocorridos lá no cimo, até sua ressurreição. Pelo caminho, vinham os discípulos conversando entre si a respeito do sentido da grandiosa cena à qual haviam assistido. Como todo judeu piedoso, acreditavam na necessidade de Elias preceder o Messias. E agora ele aparecera na Transfiguração de Jesus! Seria o começo? Um deles não se conteve e perguntou ao Mestre: "Por que dizem os escribas que Elias ainda há de vir?"
               E Jesus retorquiu com as palavras reproduzidas no início do presente tópico, confirmando a profecia sobre o retorno de Elias para restabelecer a ordem. Quando?

               Informe-se agora, lendo a maravilhosa história deste grande personagem do Antigo Testamento, nas palavras do fundador dos Arautos do Evangelho, Mons. João Clá Dias.
               Acesse Aqui

15 de julho de 2018

Nossa Senhora do Carmo: Como receber e usar o Escapulário


                           16 de julho, festa de Nossa Senhora do Carmo

          Assim como vestiu seu Filho Jesus com uma túnica de valor inapreciável, Maria Santíssima quer nos revestir, a nós, seus filhos adotivos, com  a mais eficaz das vestimentas. 
                             
          No dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock suplicava a Nossa Senhora ajuda para resolver um problema da Ordem Carmelitana, da qual era o Prior Geral. Enquanto ele rezava, a Virgem apareceu-lhe, trazendo o Escapulário nas mãos, e disse essas confortadoras palavras:
         "Filho diletíssimo, recebe o Escapulário da tua Ordem, sinal especial de minha amizade fraterna,privilégio para ti e todos os carmelitas. Aqueles que morrerem com este Escapulário não padecerão o fogo do Inferno. É sinal de salvação, amparo e proteção nos perigos, e aliança de paz para sempre".
 
          Como receber e usar o Escapulário
          1 - Qualquer padre tem poder para benzer e impor na pessoa o Escapulário.
          2 - Essa bênção e imposição valem para toda a vida, portanto, basta recebê-lo uma vez.
          3 - Quando o Escapulário se desgastar, basta substituí-lo por um novo.
          4 - Mesmo quando alguém tiver a infelicidade de deixar de usá-lo durante algum tempo, pode simplesmente retomar o seu uso, não é necessária outra bênção.
          5 - Uma vez recebido, ele deve ser usado sempre, de preferência no pescoço, em todas as ocasiões, mesmo enquanto a pessoa dorme.
          6 - Em casos de necessidade extrema, como doentes em hospitais, se o Escapulário lhe for retirado, o fiel não perde os benefícios da promessa de Nossa Senhora.
          7 - Em casos de perigo de morte, mesmo um leigo pode impor o Escapulário. Basta recitar uma oração a Nossa Senhora e colocar na pessoa um escapulário já bento por algum sacerdote.
          8 - O Papa São Pio X autorizou substituir o Escapulário por uma medalha que tenha de um lado o Sagrado Coração de Jesus e do outro uma imagem de Nossa Senhora. Mas a recepção deve ser feita com o escapulário de tecido.

Saiba mais, nas palavras de Mons. João S. Clá Dias:

13 de julho de 2018

Palestras formativas para Cooperadores-Arautos



            Os Cooperadores-Arautos do Sodalício de Nossa Senhora da Saúde, de São Paulo, continuam a realizar suas reuniões semanais, agora em nova sede anexa à Capela de Nossa Senhora de Fátima, do Bairro de Petrópolis, na vizinha Mairiporã.
            Nas últimas semanas vários sacerdotes arautos proferiram palestras sobre variados temas de formação católica.
            No Sábado, o Pe. Paulo Sérgio Martins discorreu sobre a tema “Confiança e Amparo da Santíssima Virgem”.
            Seguem algumas fotos de vários atos realizados na nova sede.





3 de julho de 2018

O Apóstolo São Tomé esteve no Brasil?


O Apóstolo São Tomé toca as chagas do Senhor
             Um homem de longas barbas, a quem chamavam Sumé, de aspecto venerável, a ensinar a doutrina cristã e a aproveitar os recursos da terra. Era assim que os índios da Baia de Todos os Santos relatavam para os colonos e missionários aqui chegados. Os primeiros registros são de 1514.
             Seria verdade ou lenda?

            Nesta data em que comemoramos a Festa de São Tomé, vejamos os documentos da época, cuidadosamente conservados.
           Em 1549 chegam à Bahia o Pe. Nóbrega e Anchieta. Poucos dias depois em carta aos jesuítas de Lisboa (1) conta o Pe. Nóbrega ter ouvido dos índios referências a um evangelizador que, além de pregar a doutrina cristã, lhes ensinara a colher raízes comestíveis, como a mandioca.
             Quem seria ele?
Pegadas misteriosas na rocha
             Informa o Pe. Nóbrega em sua carta:
“Dizem eles que São Tomé, a quem chamam Sumé, passou por aqui. Isto lhes foi dito por seus antepassados.(…) E que suas pegadas estão marcadas [numa rocha à beira-mar] (2), as quais eu fui ver para ter mais certeza da verdade, e vi com os próprios olhos quatro pegadas muito assinaladas com seus dedos, as quais algumas vezes [a maré] cobre quando sobe.(…) Dizem também que lhes prometeu voltar outra vez.”
              Escrevendo no mesmo ano ao Dr. Martin de Azpicueta, de Coimbra, diz: “E também [os índios] têm notícia de São Tomé, e há em uma rocha nesta Bahia umas pisadas que se têm por suas, e outras em São Vicente”.
              Quando gravou milagrosamente na rocha as marcas de seus pés, estava o santo Apóstolo “fugindo dos índios que o queriam flechar”. Teria querido ele, num último ato de bondade, deixar aos índios um testemunho que os ajudasse a crer na palavra dos missionários chegados séculos depois?
              Jesuítas promovem romarias
              Em carta de 1552, o Pe. Francisco Pires relata uma das frequentes peregrinações ao local das
pegadas: Disseram-nos [os índios] que morássemos ali [local chamado Paripe, a algumas léguas da cidade do Salvador] e que nós, que sabíamos, os ensinássemos e eles nos fariam uma casa nas pegadas do bem-aventurado Santo. Com eles partimos de manhã (…) Lá chegando era meia maré baixa, e vimos pegadas, que estão em pedra muito dura, (…) a pedra cedeu sob seus pés como se fosse barro”.
              Sobre a passagem de São Tomé por terras americanas, escreve o conhecido historiador Rocha Pitta:
              “A vinda do glorioso Apóstolo S. Tomé anunciando a doutrina católica, não só no Brasil, mas em toda a América, tem mais razões para se crer que para se duvidar; pois mandando Cristo Senhor Nosso aos seus sagrados Apóstolos pregar o Evangelho a todas as criaturas e por todo o mundo, não consta que algum dos outros viesse a esta região, tantos séculos habitada antes da nossa Redenção;(…) não se pode imaginar que faltasse a providência de Deus a estas criaturas.(…)
               De ser o Apóstolo S. Tomé o que no Mundo Novo pregou a doutrina evangélica, há provas grandes, como testemunho de muitos sinais em ambas as Américas”.(3)
                                                    ** ** **
(1) Cartas dos Primeiros Jesuítas do Brasil – I- (1538-1553) – Serafim Leite S.J. – São Paulo – 1954
(2) As palavras entre colchetes [ ] são precisões ao texto do Pe. Nobrega que julgava ser o local um rio,
Na realidade é a Bahia de Todos os Santos, portanto Oceano Atlântico.
(3) (História da América Portuguesa, vol. XXX – W.M. Jackson Inc. Editores — 1970).
                                                                          * * *
[Os textos completos podem ser consultados na Revista Arautos do Evangelho, nº 23, novembro de 2003,
pp. 40-41, artigo “Piedosa lenda ou fato real?, de Oscar Macoto Motitsuki]


SAIBA MAIS:

28 de junho de 2018

São Pedro Apóstolo


                 Na solenidade dedicada ao Apóstolo São Pedro, meditemos com Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, o Evangelho desse dia:

             Ao chegar à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:"Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?"
              A cidade na qual se desenvolve o Evangelho de hoje havia sido construída pelo tetrarca Filipe que, para angariar a simpatia do imperador César Augusto, deu-lhe o nome de Cesareia.
              Calcando as pedras da região, foi que se estabeleceu o diálogo durante o qual se tornaram explícitas para os Apóstolos a natureza divina de Jesus e a edificação da Santa Igreja.
              Convém não esquecermos o quanto a divina pedagogia de Jesus escolhia os acidentes da natureza sensível para efeito didático, e assim poderem seus ouvintes ter melhor compreensão das realidades invisíveis do universo da Fé.
              A esse respeito, seriam inúmeros os casos a serem citados, mas basta-nos lembrar o modo pelo qual Ele convocou os dois irmãos pescadores, Pedro e André: "Segui-me e Eu farei de vós pescadores de homens" (Mt 4, 19).
          Não se trata, portanto, de nos basearmos em razões meramente poéticas para supor que o desenrolar dessa conversa verificou-se sobre as pedras; há por detrás, um elevado teor simbólico. Ali estavam rochas que deviam perpetuar-se, e a contemplação dessas criaturas minerais, fruto de sua onipotência, tornava mais bela a solene profecia da edificação de sua indestrutível Igreja.
              Alguns autores ressaltam outro importante aspecto: o fato de Jesus ter escolhido uma região pertencente à gentilidade para manifestar-Se como Filho de Deus e fundar o primado de sua Igreja.Eles interpretam como sendo um prenúncio da rejeição do reino messiânico, pelos judeus, e sua definitiva transferência para os gentios.
              Jesus não pergunta o que pensam os outros a respeito dEle, mas sim do Filho do Homem, "a fim de sondar a Fé dos Apóstolos e dar-lhes ocasião de dizer livremente o que sentiam, embora Ele não ultrapassasse os limites daquilo que poderia lhes sugerir sua santa Humanidade".
              Eles responderam: "Uns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas".
              Os Apóstolos tinham exata noção do juízo que os "homens" de então faziam a propósito do Divino Mestre. Apesar de todas as evidências, dos milagres, da doutrina nova dotada de potência, etc., o povo não O considerava como o Messias tão esperado. Jesus surgia aos olhos de todos como a ressurreição ou o reaparecimento de anteriores profetas. Não encontravam nEle a eficaz magnificência do poder político, tão essencial para a realização do mirabolante sonho messiânico que os inebriava. Daí imaginarem-No o Batista ressurrecto, ou Elias, enquanto mais especificamente um precursor, ou até mesmo um Jeremias, lídimo defensor da nação teocrática.
                Perguntou-lhes de novo: "E vós, quem dizeis que Eu sou?"
                Bem sublinha São João Crisóstomo a essência desta segunda pergunta . Sem refutar os erros de apreciação dos outros, Jesus quer ouvir dos próprios lábios de seus mais íntimos o juízo que dEle fazem. Para lhes tornar fácil a proclamação de Sua divindade, não usa aqui o título humilde de Filho do Homem.
                Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo".
                Pedro falava como intérprete da opinião de todos, por ser o mais fervoroso e o principal. Chamou a Cristo de Filho de Deus por natureza, quando O contrapôs a João, a Elias, a Jeremias e aos profetas, os quais foram - claro está - filhos de Deus por adoção" .
                Jesus disse-lhe em resposta: "És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu".
                Ao felicitar seu Apóstolo, Jesus avalia a afirmação de Pedro a respeito de sua filiação e, portanto, de sua natureza divina e consubstancialidade com o Pai.
                Em nenhuma ocasião anterior Pedro recebeu tal elogio saído dos lábios do Salvador. Nesta passagem, ele "é feliz porque teve o mérito de elevar seu olhar além do que é humano e, sem deter-se no que provinha da carne e do sangue, contemplou o Filho de Deus por um efeito da revelação divina e foi julgado digno de ser o primeiro a reconhecer a Divindade de Cristo".
               Portanto, a afirmação de Pedro se realizou com base num discernimento penetrante, luzidio e abarcativo da natureza divina do Filho de Deus.
                Essa é a nossa Fé ensinada pela Igreja, revelada pelo próprio Deus, anunciada pelo Filho, o enviado do Pai, e confirmada pelo Espírito Santo.
                Também Eu te digo: "Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno nada poderão contra ela".
 O plano de Jesus é proclamado sobre as rochas de Cesareia, pelo próprio Filho de Deus, que Se apresenta como um divino arquiteto a erigir esse edifício indestrutível, grandioso e santíssimo, a sociedade espiritual, constituída por homens: militante na Terra, padecente no Purgatório, triunfante no Céu. O conjunto de todos aqueles que se unem debaixo da mesma Fé, nesta Terra, chama-se Igreja. Desta, o fundamento é Pedro e todos os seus sucessores, os romanos pontífices, pois, caso contrário, não perduraria a existência do edifício. Eis um ponto vital de nossa Fé: "o fato da Igreja estar edificada sobre o próprio Pedro".
(Extrato de artigo de Mons. João S. Clá Dias)

São Paulo, o gigante da Fé



              Quem pode dizer de si mesmo: “combati o bom combate”, “guardei a fé”, “sede meus imitadores”, “tudo posso n’Aquele que me conforta”? Curou inúmeros enfermos, ressuscitou um morto, converteu multidões, foi açoitado, flagelado, apedrejado, naufragou, e morreu mártir.                
              Este é o admirável São Paulo, cuja festa a Igreja celebra neste Domingo, juntamente com o Apóstolo São Pedro.

              Com  o  sacrifício  do primeiro mártir, Santo Estevão, teve início violenta perseguição contra a Igreja de Jerusalém,  obrigando  os fiéis a se dispersarem pelo interior  da Judéia,  pela Samaria,  Síria e ilha de Chipre. Somente  os Apóstolos permaneceram mais algum tempo na Cidade Santa.
Um  fariseu  se  destacava   por seu ódio contra  os seguidores  de Jesus: Saulo. Não tendo idade legal para apedrejar Estevão, Saulo limitou- se a tomar  conta  dos mantos  dos algozes. O seu ódio aos cristãos o levou a pedir  ao príncipe  dos sacerdotes  cartas  para  as sinagogas de Damasco,  com o fim de levar presos a Jerusalém os cristãos que lá encontrasse.

A mais retumbante conversão da História
               Quem era esse Saulo?
                Pelo ano 3 de nossa era, nasceu ele em Tarso, na Cilícia, cidade então  célebre  como centro  comercial e intelectual. Sua família pertencia à tribo de Benjamin e gozava do direito  de cidadania  romana. Jovem ainda, estudou em Jerusalém, na escola do conhecido Gamaliel. Mas tudo leva a crer que permaneceu poucos anos nessa cidade, e não chegou a conhecer pessoalmente Jesus,  segundo  alguns autores.
                Quando o  reencontramos  em Jerusalém,  ei-lo na primeira  fileira dos perseguidores dos cristãos.
            
                 Sua maravilhosa  conversão  no caminho  de Damasco,  a mais retumbante da História, deu-se  por volta do ano 35. Tinha ele cerca de 32 anos. É bem conhecido o episódio em que, subitamente envolto por uma luz resplandecente, caiu por  terra  e ouviu uma  voz vinda do Céu:
— Saulo, Saulo, por que me persegues?
— Quem és, Senhor?
— Eu sou Jesus, a quem tu persegues.
— Senhor,  que  queres  que  eu faça? — perguntou trêmulo  o até então orgulhoso fariseu.
— Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer, — respondeu Jesus.
               E Saulo, levantando-se, constatou que estava cego...
               Para grandes males, grandes remédios. Que soberana  manifestação de Deus, reduzindo à impotência aquele que julgava tudo poder! Cego, apenas sabia que devia se dirigir a Damasco: Aí te será dito o que deves fazer...
               A auto-suficiencia de Saulo fora substituída pela  humildade  de Paulo. Morrera o fanático fariseu, perseguidor dos cristãos; nascia o gigante da Fé que deslumbrará a Igreja.

Tudo no Apóstolo Paulo é grandioso
               Em Damasco,  Ananias lhe restituiu a vista e o batizou. Em seguida,  o néo-convertido  passou  três anos no deserto  da Arábia,  sendo instruído  pelo próprio  Jesus. Voltando  à capital da Síria, pregou  a fé cristã com tanto  zelo e sucesso, que os judeus,  furiosos, tentaram matá-lo. Mas os discípulos fizeram-no descer à noite pela muralha, dentro  de um cesto.
               Fugindo para Jerusalém, tentou juntar-se lá aos cristãos, mas todos o temiam, não crendo em sua conversão. Então Barnabé apresentou-o aos Apóstolos,  narrando como em Damasco Paulo  pregara  com desassombro o nome de Jesus. Permaneceu pouco tempo na Cidade  Santa, pois aí também  alguns judeus  quiseram matá-lo.  O próprio  Jesus  lhe apareceu, alertando-o:  “Apressa-te e sai logo de Jerusalém porque não receberão o teu testemunho a meu respeito. Vai, porque Eu te enviarei para longe, às nações...”.

Portentosa epopéia evangelizadora
               Com  esse mandato do  Divino Mestre, o Apóstolo iniciou sua portentosa  epopéia  de evangelização entre os gentios. Partiu para Tarso, e de lá seguiu com Barnabé  para Antioquia,  onde formaram uma grande  comunidade  de  fiéis. Nesta  cidade,  os discípulos de Jesus foram chamados pela primeira vez de cristãos, para os distinguir dos judeus e dos gentios.
               Na  ilha  de  Chipre,  para  onde os dois Apóstolos se dirigiram, vemos um exemplo do fogo evangelizador de Paulo. O procônsul Sérgio Paulo,  homem  sensato,  desejava ouvir a palavra de Deus. Mas Barjesus, um mago, procurava desviar da  fé esse magistrado romano. Então Paulo  cravou os olhos no falso profeta e disse: “Filho do demônio, cheio de todo engano e de toda astúcia, inimigo de toda justiça, não cessas de perverter os caminhos retos do Senhor! Eis que agora está sobre ti a mão do Senhor e ficarás cego. Não verás o sol até nova ordem!”  Ao ver o mago logo reduzido à cegueira, o procônsul abraçou a fé, admirando vivamente  a doutrina do Senhor. Apesar disso, as autoridades da cidade  expulsaram  os dois Apóstolos, por instigação dos judeus.
                Assim, por  sucessivas cidades, após  a pregação  destemida do Evangelho,  acompanhada por vezes de milagres admiráveis, numerosas conversões  se davam, o que ocasionava a perseguição  por parte dos dirigentes das sinagogas locais.

A sagacidade, virtude saliente dos Santos de todas as épocas
              O Divino Mestre nos recomenda sermos simples como a pomba e astutos como a serpente.
São Paulo nos dá disso exemplo.
              Foi ele pregar  o nome de Cristo  em  Atenas,  centro  intelectual do mundo  antigo. Todos  os dias, discutia  com  os judeus  nas  sinagogas e anunciava na praça pública o nome de Jesus e sua Ressurreição.  Alguns  filósofos levaram-no para discursar no Areópago, local por excelência  onde  os atenienses se reuniam para dizer e ouvir as últimas novidades. Demonstrando fina sagacidade, Paulo iniciou assim seu discurso: “Homens  de Atenas, em  tudo vos vejo muitíssimo religiosos. Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também  um altar com esta inscrição: A um deus desconhecido. O que adorais sem o conhecer, eu vô-lo anuncio!”.
              Quando, no final de seu discurso, o ouviram  afirmar  que Cristo ressuscitou, muitos zombaram  dele. Entretanto, alguns homens creram  e foram  batizados,  entre  os quais São Dionísio Areopagita, primeiro Bispo de Atenas.

Deus quer operar milagres através dos Santos
               Deus deu a alguns de seus discípulos o poder  de, em seu nome, curar os enfermos, expulsar os demônios,  e até  ressuscitar  mortos. São Paulo valeu-se largamente desse poder, para  atrair  e confirmar na Fé aqueles a quem pregava.
               Na cidade de Listra, ordenou a um homem coxo de nascença: “Levanta-te direito sobre os teus pés!”. Este deu um salto e pôs-se a andar. Impressionado, num primeiro mo mento o povo quis adorá-lo  como um deus. Porém,  manipulado por alguns judeus,  acabou  apedrejando Paulo. Julgando-o morto, o arrastou para fora da cidade. O Apóstolo foi salvo depois pelos discípulos.
               Na ilha de Malta,  curou  o pai do governador,  impondo-lhe as mãos. Sabendo  disto, os habitantes apressaram em trazer-lhe todos os doentes  da ilha, e todos foram curados.
               E em Trôade,  Paulo ressuscitou um moço que,  durante uma  pregação que se prolongara noite adentro, adormeceu e caiu do terceiro andar, vindo a falecer.
               Seria demais longa a enumeração desses fatos prodigiosos.
               Mencionemos apenas mais um, muito interessante para mostrar como Nosso Senhor  Jesus Cristo se compraz  com o culto às relíquias dos Santos.  Diz o livro dos Atos dos Apóstolos  (19, 11): “Deus fazia milagres extraordinários por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham  tocado o seu corpo eram levados aos enfermos; e afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os espíritos malignos”.

O elogio de si mesmo, em defesa dos fracos na Fé

              Premido pela necessidade de anular  os efeitos  nefastos  de falsos apóstolos,  ministros de  Satanás disfarçados em ministros de Cristo, São Paulo vê-se obrigado a fazer aos cristãos de Corinto  esta magnífica  apologia  de si mesmo: “São hebreus? Também  eu. São israelitas? Também eu. São ministros de Cristo? Falo como menos sábio: eu, ainda mais. Muito  mais pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, pelos açoites sem medida. Muitas vezes vi a morte de perto. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos  um.  Três vezes flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei.”
               Continuando, proclama  que, sem a graça, ele nada é, e faz uma repreensão aos coríntios: “Importa que me glorie? Na verdade, não convém! Passarei, entretanto, às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. (...) e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir. Deste homem eu me gloriarei, mas de mim  mesmo  não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas (...)  Vós é que deveríeis fazer o meu elogio, visto que em nada fui inferior a esses eminentes apóstolos, se bem que nada sou”.
               Também perante os gálatas, teve de usar argumentação semelhante: “Estou admirado de que tão depressa passeis daquele que vos chamou  à  graça de  Cristo para um evangelho diferente.
(...) Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho pregado por mim não tem nada de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma revelação de Jesus Cristo. (...) Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou  e se entregou por mim”.
                E  aos filipenses:  “Se há quem julgue ter motivos humanos para se gloriar, maiores os possuo eu: circuncidado  ao oitavo dia, da raça de  Israel, da  tribo de  Benjamim, hebreu e filho de hebreus. (...) quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível. (...) Irmãos, sede meus imitadores, e olhai atentamente para os que vivem segundo o exemplo que nós vos damos. Porque há muitos por aí, de quem repetidas vezes vos tenho falado e agora o digo chorando, que se portam como inimigos da cruz de Cristo. Nós, porém, somos  cidadãos dos céus.”

Combateu o bom combate, recebeu no Céu a coroa de justiça
                Grandiosa foi sua vida, tal será também sua morte.
                Sendo cidadão romano, São Paulo  não  podia  ser  crucificado. Foi, assim, decapitado pela espada,  no  ano  67. Conta-nos  a  tradição que sua cabeça, rolando  ao solo, saltou três vezes e fez brotar três fontes que podem ser vistas ainda hoje na Igreja de San Paolo alle Tre Fontane, na  via d’Ostia, em Roma.
                Estando  preso em Roma,  o incansável Apóstolo  não deixou de pregar,  e obteve  a conversão  de incontáveis almas. Posto em liberdade no início do ano 64, dirigiu-se à Espanha e à Ásia. Retornando a Roma,  foi preso novamente, desta vez com São Pedro.
        
      Ficaram eles na prisão mais antiga de Roma, o Cárcere Mamertino, local impregnado de bênçãos, que comove a quantos  por lá passam. Com efeito, como não se impressionar ao  contemplar,  logo nos primeiros  degraus  da estreita escada  que  leva ao  calabouço,  a marca do rosto do Príncipe dos Apóstolos, milagrosamente impressa na parede  de pedra?  E que emoção ao ver no canto da cela a fonte que brotou  do solo, possibilitando  aos  Apóstolos  batizarem os próprios  carcereiros, convertidos pelo seu exemplo e pregação!
                No final de sua heróica vida, pôde o Apóstolo  das Gentes  cantar  este  hino de triunfo do varão que sente  a consciência  limpa na hora do encontro com o Supremo Juiz: “Combati o bom combate, terminei a minha  carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição”.

                                                   Revista Arautos do Evangelho nº 25 - Roberto Kasuo

26 de junho de 2018

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

 

Você conhece a mensagem do Quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro?


          Nesta data Nossa Igreja celebra o dia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, uma devoção universal, conhecida e venerada em todos os continentes do mundo, talvez a mais ampla e conhecida devoção de Nossa Senhora, especialmente no Oriente. No mundo todo são realizadas as famosas Novenas Perpétuas em honra de Nossa Senhora Mãe do Perpétuo Socorro.
Pensando nisso, achamos interessante divulgar um artigo do site Gaudium Press que explicará o significado do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
              A Mensagem do Quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
           Aparentemente é um simples quadro de mais uma das inúmeras devoções à Santa Mãe de Deus, mas se nos determos em seus detalhes, veremos que a imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é cheia de simbolismos e significados.
Medindo 53 por 41,5 centímetros o ícone foi produzido no estilo bizantino em madeira sobre um fundo dourado.
          Na época em que a obra foi executada, durante o Império Romano, os artistas utilizavam o ouro ou simplesmente sua cor para retratar apenas as grandes personalidades.
Segundo a tradição o quadro foi pintado por um artista até hoje desconhecido que, por sua vez, inspirou-se em uma pintura atribuída a São Lucas.
O ícone é rico em detalhes e a cada um deles é atribuído um significado, uma simbologia, uma mensagem.
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 Eis alguns desses detalhes:
          1 – Abreviação grega de “Mãe de Deus”.
        2 – Estrela no véu de Maria, a Estrela que nos guia no mar da vida até o porto da salvação.
          3 – Abreviatura de “Arcanjo São Miguel”.
        4 – Coroa de Ouro – O quadro original foi coroado em 1867 em agradecimento dos muitos milagres feitos por Nossa Senhora em se título preferido “Perpétuo Socorro”.
          5 – Abreviatura de “Arcanjo São Gabriel”.
          6 – São Miguel apresenta a lança, a vara com a esponja e o cálice das amarguras.
          7 – A boca de Maria é pequenina, para guardar silêncio, e evitar as palavras inúteis.
          8 – São Gabriel com a cruz e os cravos, instrumentos da morte de Jesus.
        9 – Os olhos de Maria, grandes, voltados sempre para nós, a fim de ver todas as nossas necessidades.
         10 – Túnica vermelha, distintivo das virgens no tempo de Nossa Senhora.
         11 – Abreviação de “Jesus Cristo”.
        12 – As mãos de Jesus apoiadas na mão de Maria, significando que por elas nos vêm todas as graças.
         13 – Manto azul, emblema das mães naquela época. Maria é a Virgem – Mãe de Deus.
       14 – A mão esquerda de Maria sustentando Jesus – a mão do consolo que Maria estende a todos que a ela recorrem nas lutas da vida.
         15 – A sandália desatada – símbolo talvez de um pecador preso ainda a Jesus por um fio – o último – a devoção a Nossa Senhora.
        O fundo do quadro é de ouro, dele esplendem reflexos cambiantes, matizando as roupas e simbolizando a glória do paraíso para onde iremos, levados pelo perpétuo socorro de Maria.
         Assustado pela aparição dos dois anjos, mostrando-lhe os instrumentos de sua morte, Jesus corre para os braços de sua Mãe, e com tanta pressa que desamarrou-se o cordão da sandália… Nossa Senhora abriga-o com ternura e o Menino Jesus sente-se seguro nos braços de sua Mãe. O olhar de Nossa Senhora não se dirige ao menino, mas a nós – apelando para os homens evitarem o pecado, causa do susto e da morte de Jesus. As mãos de Jesus estão na mão de Maria para lembrar que Ela é a Medianeira de todas as graças.
 (Por Emílio Portugal Coutinho) Fonte: http://www.gaudiumpress.org/content/38073

Video: AQUI
Leia a história desta linda devoção: Aqui

23 de junho de 2018

Nascimento de São João Batista



        A liturgia faz-nos celebrar a Natividade de São João Baptista, o único Santo do qual se comemora o nascimento, porque marcou o início do cumprimento das promessas divinas: João é aquele «profeta», identificado com Elias, que estava destinado a preceder imediatamente o Messias para preparar o povo de Israel para a sua vinda.
             Depois de Nossa Senhora, talvez seja João Batista o santo mais venerado pelos Cristãos. Como a Santa Mãe de Deus, dele também se celebra a data de dois nascimentos: para a vida terrena, em 24 de junho, e para a vida eterna em 29 de agosto. Aliás, São João e Maria Santíssima eram parentes bem próximos.
             Por causa de suas pregações, São João foi logo tido como profeta. Aquela categoria de homens especialmente escolhidos pela Providencia que, falando por inspiração divina, prenunciam os acontecimentos, ouvem e interpretam os passos do Criador na história, orientando o caminhar do povo de Deus.
             Os Santos Evangelhos referem-se a ele como sendo um desses homens. Talvez como sendo o maior deles (Lc 7, 26-28), uma vez que com São João Batista a missão profética atingiu sua plenitude e ele é um dos elos de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento.
             Os outros profetas foram um prenúncio do Batista. Só ele pôde apresentar o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa como sendo o messias prometido, o salvador e redentor da humanidade.
             O Evangelista São Lucas nos conta que João, o "Batista", o "Precursor", nasceu numa cidade do reino de Judá, perto de Hebron, nas montanhas, ao sul de Jerusalém e que era descendente do santo patriarca Abraão, iniciador da historia do povo de Israel.
         Seu pai foi o sacerdote São Zacarias (da geração de Aarão) e sua Mãe foi Santa Isabel (da geração de Davi), prima da Virgem Maria, mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. São Lucas ressalta também as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento de João Batista: Isabel, estéril e já idosa, viu ser possível realizar seu justo desejo de ter um descendente quando o arcanjo São Gabriel anunciou a Zacarias, seu esposo, que ela daria a luz a um filho. O menino deveria chamar-se João e seria o precursor do Salvador.
             Pela graça de Deus o menino não foi morto no massacre dos inocentes quando milhares de crianças foram assassinadas na região de Belém a mando de Herodes. Alguns meses depois de engravidar-se, Isabel recebeu a visita de Nossa Senhora: "Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio." (Lc 1:39-44).
              Estando ainda em sua juventude, João retirou-se para o deserto. Vestido de pelos de camelo e um cinturão de couro, ele alimentava-se apenas de mel silvestre e gafanhotos. Com jejuns e orações, colocou-se por inteiro na presença do Altíssimo, levando uma vida extremamente coerente com seus ensinamentos. Permaneceu no deserto até por volta de seus trinta anos quando iniciou suas pregações às margens do rio Jordão.
              Não deixava nunca de salientar aos seus ouvintes e discípulos que "Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque antes de mim ele já existia! Eu também não o conhecia, mas vim batizar com água para que ele fosse manifestado a Israel".
              Por causa de sua austeridade e de sua fidelidade cristã, ele foi confundido com o próprio Jesus Cristo, mas, imediatamente, ele retruca: "Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele." (Jo 3, 28) e "não sou digno de desatar a correia de sua sandália". (Jo 1,27). João batizou Jesus, embora não quisesse fazê-lo, dizendo: "Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim ?" (Mt 3:14).
              Quando seus discípulos hesitantes não sabiam a quem seguir, ele apontava na direção daquele que é o único caminho: "Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". (Jo 1,29). E dava testemunho de Jesus: "Eu vi o Espírito descer do céu, como pomba, e permanecer sobre ele. Pois eu não o conhecia, mas quem me enviou disse-me: Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, é ele que batiza com Espírito Santo. Eu vi, e por isso dou testemunho: ele é o Filho de Deus!"

22 de junho de 2018

São Tomás Mórus: o homem que não vendeu sua alma


          
         São Tomás Mórus nasceu em Londres, em 1478. Menino muito inteligente, seguiu a carreira do pai, que era magistrado, e bem jovem, com apenas 22 anos, alcançou o outorado em Direito. Quando começaram suas dúvidas acerca de qual era a vocação que Deus lhe havia destinado, sua grande sensibilidade religiosa levou-o a conhecer a vida comunitária de algumas Ordens da Igreja Católica, passando um certo tempo com os cartuxos de Londres e depois com os franciscanos de Greenwich. Mas, após longas meditações, chegou à conclusão de que deveria optar pela via matrimonial.
          Foi um excelente esposo, pai exemplar e verdadeiro amigo dos que lhe conquistaram a confiança. Praticava muito a oração comum em família, participando diariamente da Santa Missa, comungando e confessando-se com frequência. Mas as austeras penitências que abraçava, só mesmo os seus familiares mais íntimos conheciam.
          Em 1504, no reinado de Henrique VII, foi eleito pela primeira vez para o Parlamento, o que marcou o início de uma carreira brilhante de homem público. Já no reinado de Henrique VIII, chegou a ser membro do Conselho da Coroa, juiz presidente de um importante tribunal, vice-tesoureiro e cavaleiro, até chegar a presidente da Câmara dos Comuns. E por fim, por sua integridade moral indefectível, argúcia de pensamento, caráter fiel e erudição extraordinária, foi nomeado Chanceler do Reino em 1529, num momento de crise política e econômica do país.
        Mas a grande provação de tão brilhante homem estava por vir
             Quando Henrique VIII quis assumir o controle da Igreja na Inglaterra, rejeitando os preceitos católicos e especialmente a autoridade do Sumo Pontífice, seu Chanceler não lhe deu apoio e pediu demissão. São Tomás Mórus foi, por isso, perseguido pelo rei, que lhe confiscou todos os bens, procurando forçá-lo a prevaricar da fé por meio de várias formas de pressão psicológica.
          Constatando a firmeza inquebrantável com a qual esse homem não aceitava suas imposições, o rei mandou prendê-lo na Torre de Londres.  Ali o antigo Chanceler padeceu por um longo período. Quando sua filha, o visitava pela última vez no cárcere, ele apontou-lhe quatro monges cartuxos que avistava através das grades,
que seriam martirizados por haver igualmente recusado a aceitar os erros do rei: “Veja como vão contentes oferecer sua vida por Jesus Cristo. Quiçá, também a mim, Deus me conceda a coragem para oferecer a vida por sua santa Religião!”
          Deus atendeu a seus desejos e, na madrugada do dia 6 de julho de 1535, foi decapitado por recusar-se a jurar fidelidade à nova religião imposta a seu país.
          Morreu recitando o Salmo 50: “Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua grande misericórdia.” Preferiu morrer a vender sua alma…
          Mártir, foi ele elevado à honra dos altares em 1935. Por seu exemplo de estadista íntegro e coerente, recebeu do Papa João Paulo II o título de Patrono dos Governantes e dos Políticos, a 31 de outubro de 2000. São Tomás Mórus é venerado como exemplo de coerência moral heróica.
            Sua festa se comemora hoje, dia 22.

Dr. Plinio comenta São Luiz Gonzaga



 Vídeo: São Luiz Gonzaga comentado por Plínio Corrêa de Oliveira
Acesse AQUI

11 de junho de 2018

Santo Antonio de Pádua

Festa: dia 13 de junho

"Doutor da Igreja", "Martelo dos Hereges", "Doutor Evangélico", "Arca do Testamento" é como os Papas o chamaram. Para o povo fiel, ele protege os pobres, auxilia na busca de coisas e pessoas perdidas, orienta os sentimentos e inspira a vida de oração; afugenta os demônios e a peste; cura os enfermos. Foi franciscano da primeira hora. Conhecido como milagreiro, sua própria vida foi um milagre contínuo.
                       Saiba mais, Acesse AQUI

9 de junho de 2018

José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil

              
              A Igreja Católica comemora no dia 9 a memória do grande evangelizador do Brasil: o Pe. José de Anchieta.
              Atendendo a vários pedidos, retransmitimos aqui um programa da TV Arautos contendo alguns traços da vida deste admirável formador da nacionalidade brasileira.

              Para isso, basta acessar: AQUI

Imaculado Coração de Maria


              Logo após à Festa do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja Católica comemora no dia 9 a Festa do Imaculado Coração de Maria.

              "Para salvar as almas dos pobres pecadores, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração" - dizia a Santíssima Virgem na aparição de 13 de julho de 1917, ao tratar do cerne de sua mensagem. Porém, não foi esta a única ocasião em que Nossa Senhora se referiu à importância dessa devoção. Mencionou-a diversas outras vezes nas suas mensagens, e tal insistência não pode deixar de ser seriamente considerada.
              Quem se tomar de verdadeiro e sincero amor por essa boa Mãe, puríssima e inigualável, e pôr em prática a devoção ao seu Imaculado Coração, será favorecido por seu contínuo amparo. Por maiores que tenham sido os pecados cometidos, Nossa Senhora intercederá pelo fiel devoto junto a seu Divino Filho, obtendo-lhe todas as graças de emenda de vida e perseverança no bom caminho.
              A devoção ao Imaculado Coração de Maria é, portanto, um dos principais remédios para a ruína contemporânea.

Saiba mais: Acesse AQUI