20 de abril de 2014

CRISTO RESSUSCITOU VERDADEIRAMENTE. ALELUIA!


                   O Corpo de Jesus acabava de ser posto no sepulcro. Tudo parecia concluído.
                   O profeta de Nazaré morrera na cruz, como um vil escravo. Os apóstolos, aterrorizados, tinham desaparecido; algumas mulheres, depois de o terem seguido até ao Sepulcro, voltavam para suas pousadas, derramando lágrimas.
                  Dir-se-ia que os príncipes dos sacerdotes e os fariseus triunfavam incontestavelmente; e contudo, coisa estranha! pareciam temer ainda aquele personagem prodigioso, que tantas vezes os tinha espantado com o seu poder.
                  Aquelas trevas que envolveram a cidade durante a sua agonia, aquele tremor de terra no momento da sua morte, aquele véu do Santo-dos-Santos rasgado miraculosamente, afiguravam-se a todos, como presságios sinistros.
                  E o que mais que tudo os inquietava é que o Crucificado tinha anunciado que ressuscitaria três dias depois da sua morte.
                  Ao predizer a sua morte, e a sua morte na cruz, Jesus ajuntava que ressuscitaria ao terceiro dia. “Destruí este templo, dizia ele aos Judeus, falando do templo do seu corpo, e eu o reconstruirei em três dias.”
                  Em tal assombro os lançaram estes temores que sem se importar com o descanso sabático, foram imediatamente ter com Pilatos. “Senhor, disseram-lhe eles, lembramo-nos que aquele impostor, quando ainda vivia, anunciou que ressuscitaria ao terceiro dia depois da sua morte. Fazei-nos pois o favor de mandar guardar o seu sepulcro até ao fim do terceiro dia, para que não venham os seus discípulos tirar o cadáver e dizerem depois ao povo que ele ressuscitou dentre os mortos. Pois este segundo erro ainda seria mais perigoso que o primeiro.”
                 Pilatos execrava aqueles homens, sobretudo depois que eles lhe extorquiram uma sentença que a sua consciência lhe exprobrava como um crime. Por isso respondeu-lhes com desprezo: “Tendes a vossa guarda: ide lá, e mandai guardar esse sepulcro, como bem vos parecer.”
                 Os príncipes dos sacerdotes e os chefes do povo foram ao jazigo onde repousava o corpo do Crucificado. Selaram a pedra que defendia a entrada, e colocaram soldados à volta do monumento a fim de impedir que alguém se aproximasse.
                 E, feito isto, retiraram-se plenamente seguros: parecia-lhes impossível que um morto tão bem preso e tão bem guardado lhes pudesse escapar. De três em três horas, novas sentinelas iam render as que tinham acabado o seu quarto de guarda.
                 O Filho de Deus esperava, na paz e silêncio do sepulcro, o momento fixado pelos decretos eternos.

               
                 Ao romper da aurora do terceiro dia, a sua alma, voltando do limbo, reuniu-se ao corpo e, sem nenhum movimento na colina, o Cristo glorificado saiu do sepulcro. E os guardas nem sequer perceberam que estavam vigiando um sepulcro vazio.
                 Mas eis que, momentos depois, começa a terra a tremer violentamente, e um anjo desce do Céu, à vista dos soldados aturdidos, rola a pedra que fechava a entrada da gruta e senta-se sobre aquela pedra como um triunfador no seu trono. O seu rosto brilha como o relâmpago, o seu vestido alveja como a neve, os olhos despedem chamas e fixam os guardas que para ali caem com o rosto no pó, quase mortos de pasmo. Era o anjo da ressurreição que descia do Céu para anunciar a todos que Jesus, o grande Rei, o vencedor da morte e do inferno, acabava de sair do sepulcro.
                  O Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia!


Fonte: Jesus Cristo, sua vida, sua paixão, seu triunfo
Pe. Berthe, da Congregação do Ssmo. Redentor - pgs 408-9